quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

ESCOLHA A SUA ROLHA!

Há tempos temos ouvido discussões intermináveis e sempre inconclusivas sobre o que é melhor: rolha de cortiça, rolha sintética ou rolhas tipo “screw cap”. São vários os argumentos a favor e contra cada uma delas. Não quero aqui entrar a fundo em cada um destes fatores, mas vou citar rapidamente alguns deles:

A rolha de cortiça tem todo o charme de ser algo antigo, tradicional e que muitos enófilos não conseguem ver uma garrafa de vinho sem ela. Pelo lado funcional, ela é eficiente, pois permite a passagem de oxigênio na medida certa ao vinho (micro-oxigenação), permitindo que ele evolua na garrafa ao longo dos anos, em alguns casos alcançando décadas e décadas de vida dentro da garrafa, pois o vinho é SIM um organismo vivo em constante evolução! Porém, ela também tem algumas coisas que pesam contra: O custo da matéria-prima é alto e às vezes chega a custar entre 25 e 50 cents de Euro e se for de qualidade pode chegar a 1 Euro, mais do que o preço de custo de um litro de alguns vinhos. Além disto, é uma matéria-prima cara porque é extraída da casca do sobreiro, uma árvore só existente em Portugal e na Espanha e cuja casca leva 30 anos para regenerar-se. E por último devemos lembrar que em algumas vezes ela é responsável pelo conhecido efeito “bouchoneé”, ou “gosto de rolha” que na maior parte dos casos está associado à rolhas de baixa qualidade.

Se por um lado as rolhas sintéticas são mais em conta e barateiam o custo de produção do vinho, por outro elas não tem o charme e a tradição das rolhas de cortiça. E alguns dizem que ela não tem os micro-poros que permitem a micro-oxigenação e consequentemente a evolução do vinho na garrafa, por mais que algumas pessoas mais técnicas digam que sim, ela tem estes micro-poros. O fato é que, por ser um fenômeno recente, não temos estudos ou comprovações que mostrem que um vinho de guarda com rolha sintética consegue se manter “vivo” pelo mesmo tempo que um vedado com cortiça.

E por último vem as rolhas mais polêmicas, que são as tampas screw cap, conhecidas como tampas de rosca. Se as sintéticas, que tem o mesmo formato das naturais já não tem o charme das tradicionais, imaginem uma tampa de rosca! Estas são as mais atacadas e polêmicas principalmente pelo motivo estético. Mas são as mais baratas de todas, custando no máximo 25 cents de Euro. E a maioria das garrafas com screw cap tem alguns micro furos que permitem a passagem de ar para o vinho. Vinhos australianos, neo zelandeses e alguns chilenos e argentinos já estão adotando este novo formato. Mas assim como acontece com as sintéticas, não há estudos sobre a duração de um vinho dentro de uma garrafa com screw cap por ser algo muito recente.

Colocadas todas as situações, concordam que fica difícil chagar a uma conclusão que deixe todos satisfeitos e convencidos? Acho que nestes casos, o importante é não se deixar levar por preconceitos e abrir a cabeça para novos formatos e possibilidades. Já provei vinhos estupendos com rolha natural e vinhos também muito bons com scew cap e rolhas sintéticas. Então, se não estivermos abertos a experimentar e testar, para tirar nossas próprias coclusões, continuaremos achando que as rolhas naturais não devem ser substituídas e ponto final! Portanto,como no mundo do vinho a opinião de cada um sobre o que é bom e o que não é, é o que importa, a regra vale para esta discussão também.

Já pensaram então um Petrus ou um Margaux com screw cap? É difícil, e quase que inconcebível pensar nisto. Mas é bom começar a exercitar isto em suas cabeças, pois nunca se sabe o dia de amanhã…


CHEERS!!
(Com rolha natual, sintética ou screw cap)

Um comentário:

Alexandre (Diário de Baco) disse...

Olá Déco!

Recentemente foram abertos vinhos de 10 anos, inclusive franceses, com rolhas normais e screw cap.

Ambos perfeitos e evoluídos, inclusive com certa vantagem para o de screw cap.

O futuro é inevitável.

abs!
Alexandre