
Mas para que suavizar e mudar a 'fórmula' do vinho? Para que as pessoas pudessem beber mais rapidamente este vinho, que quando novo ainda é meio “duro” e só a idade vai amansando a fera. E quando amansado, este vinho fica um néctar dos deuses.
Mas antes de falar sobre o caso, é bom explicar um pouco a teoria: Estes vinhos, para terem o selo de Brunello di Montalcino, conforme a legislação do Conzorcio del Vino Brunello di Montalcino, precisam ser feitos exclusivamente de uvas Sangiovese Grosso(ou Brunello como alguns a chamam). Além desta regra, eles precisam seguir rigorosamente outras regras, como tempo de permanência em barricas e localização dos vinhedos.
No caso acima, sete vinícolas foram investigadas. Cinco dos produtores sob suspeita foram considerados culpados . São nomes grandes, fortes e que certamente darão muito assunto ainda: Antinori, Marchesi de Frescobaldi, Argiano, Banfi e Casanova di Néri, produtor que no ano passado emplacou seu Brunello como o número 1 da famosa lista anual da Wine Spectator. Escaparam apenas o secular Biondi Santi e o Col d’Orcia.
Mas o ponto que acho que merece reflexão é o futuro deste respeitáveis e nobres vinhos. Tenho lido alguns textos, entre eles o do blog do Paulão (http://www.nossovinho.com/) e a matéria do caderno Paladar do Estadão de ontem e os pontos para pensarmos são dois: Será que fórmula dos Brunellos, tão aclamados e justamente reconhecidos vai mudar, para as pessoas que têm pressa de beber os vinhos e estes novos ‘cortes’ acabarão incorporados à DOC? Se isto acontecer, veremos que não só no Brasil a coisa acabará em pizza, pois neste caso a exceção de hoje pode vir a ser discutida e virar a regra futura.
O outro ponto, que não é difícil de acontecer pois já houve casos parecidos será a saída destes produtores do Consorzio, passando assim a produzir vinhos sem o selo de origem e com uvas teoricamente proibidas. Vamos lembrar que há antecedentes deste tipo no mundo vinícolas e na própria Itália aonde os transgressores se tornam mais importantes que as burocracias locais. Ali mesmo na toscana vemos o caso dos Supertoscanos, que foram assim denominados em 1971 quando os produtores pertencentes ao Consorzio do Galo Nero começaram a colocar outras uvas nos seus Chiantis que não a Sangiovese (Sim, é a mesma uva, porém, em Montalcino esta variedade “Grosso” tem uma casca mais espessa). E aí surgiu o primeiro Supertoscano, o famoso Tignanello, que ao lado do Solaia e Ornelaia ficam à frente da maioria dos seus antecessores Chiantis.
Qual será o futuro dos Brunellos? Será que passarão a existir os 'Super Brunellos'? Será que os Barolos serão os próximos a sofrerem alguma revolução? Vamos esperar o tempo nos dizer, mas enquanto não existe nada oficial, vamos continua bebendo. Brunellos, Barolos, Chiantis e tudo o que pudermos!
CHEERS!!
2 comentários:
Olá André
Se surgirão "Super Brunellos" ou não eu nem arrisco a dizer, mas que seria uma grande pena, isso seria... Também fico muito chateado com isso, pois compartilho com você o favoritismo por esses vinhos dessa região. Talvez esse imediatismo de consumo nos consumo esteja causando isso...
Um abraço
Daniel Perches
www.vinhosdecorte.com.br
Tomara que os Brunellos 2004 e 2005 nos façam esquecer da decepção com a safra 2002 (em razão dos problemas decorrentes da natureza) e com a safra 2003 (que ficou, sem dúvida, com uma suspeita enorme). A situação é tão grave que para guardar alguma garrafa "pós 2003" vai ser necessário abrir outra igual (ainda que cometendo um infanticidio), pois, ao contrário, poderá ficar uma dúvida sobre o que está sendo guardado... Lamentável a situação.
Utilizar a denominação IGT seria mais honesto e pode permitir as experiências, mas jamais mudar a essência e estrutura do Brunello di Montalcino.
Vamos aguardar o resultado da investigação, pois Brunello - com todo respeito - não combina com pizza.
Rodrigo Mazzei
rodrigo@mazzei.com.br
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